A preocupação com a segurança em áreas de voo restritas não é novidade para nenhum condutor de drones minimamente atento. Aliás, se segue este hobby provavelmente já ouviu de incidentes em Portugal e no estrangeiro envolvendo drones e aviões/pássaros/helicópteros, etc. Infelizmente, por distracção ou más intenções, parece haver sempre o ocasional acidente aéreo.

No entanto, foi com algum espanto que, através da RTP, recebemos notícia da última intervenção do governo neste espaço, que consiste num investimento em testes para o desenvolvimento de um sistema anti-drones.

O prazo dado pelo governo para a implementação deste sistema é até ao fim do primeiro semestre do ano, ou seja podemos contar que lá para Junho ou Julho este sistema esteja activo, isto é se os testes tiverem sucesso e o governo não desista da ideia.

Segundo Guilherme Oliveira, secretário de estado das infraestrutura, o sistema funcionaria em duas fases: A primeira destina-se a identificar a presença de drones nas areas próximas de aeroportos. A segundo estaria responsável por abater, ou inibir na linguagem de Guilherme Oliveira, os mesmos.

Não é portanto difícil de perceber os potenciais problemas de um sistema tão rudimentar. A identificação de drones poderia logo causar problemas. Supomos que o sistema estaria focado em identificar multi-rotores e quadecópteros, mas como vai identificar veículos com um design diferente? E como vai distinguir estes de passáros ou outros objectos voadores?

Em segundo lugar, a acção de inibição do drone poderá causar problemas ainda maiores no espaço aereo. Será que disparar redes para o ar no aeroporto é a melhor ideia? Ou será que a ideia é bloquear certas frequências para matar o sinal de controlo de drone? (que poderá também interferir com outros aparelhos vitais ao funcionamento). Para já não sabemos, pois ainda não foi especificado publicamente o método de “inibição” dos drones. Mas uma coisa é certa, esta não é uma tarefa a ser feita às 3 pancadas, e corre o risco sério de causar situações de insegurança nos aeroportos.

Finalemente, para além dos potenciais problemas técnicos na implementação deste aparelho, na nossa opinião, é difícil entendar este investimento que poderá ser avultado no futuro, quando o número de ocorrências sérias nos espaços aereos portugueses é praticamente zero. Certamente, investimentos em mais iniciativas como o Voa Na Boa dariam maior proveito, limitando o número de acidentes que acontecem por pura ignorância.

 

E você, o que pensa sobre esta notícia? Agrada-lhe o rumo tomado pelo governo? Deixe a sua opinião na caixa de comentários em baixo. E não se esqueça de subscrever ao nosso newsletter para receber as últimas novidades do mundo de drones na sua caixa de correio!