Com a recente notícia do primeiro teste com sucesso de uma entrega de serviço postal com recurso a drone, decidimos  conversar com o Raphael S. F. Stanzani, co-fundador da Connect Robotics, a startup responsável pela entrega, sobre a situação actual e o futuro desta indústria em Portugal.

 

 

Foi recentemente anunciada a primeira entrega em Portugal com recurso a drone, num teste feito em parceira com a CTT. Para quando prevêm a primeira entrega oficial? Qual é a maior barreira que enfrentam neste momento?

Ainda não temos data prevista, estamos avançando na exploração de oportunidades dentro da operação dos CTT. A maior barreira que percebemos é a incerteza em relação à regulamentação, isto gera receio e confusão para os potenciais clientes, não conseguem saber até que ponto é possível beneficiar-se da tecnologia.

 

A legislação em relação à utilização de drones em aplicações comerciais, como a entrega de pacotes, ainda é escassa. Consideram isso um risco? 

É escassa, mas já começa a dar sinais de evolução, principalmente me Portugal. É um risco no sentido de planear o crescimento do negócio pois gera incerteza de quanto e onde podemos crescer. Entendemos que a legislação deve ser bem elaborada para permitir que esse tipo de utilização possa crescer sustentavelmente, e isso requer um tempo que a tecnologia ultrapassa muito mais rápido.

 

Para além de trabalharem com parceiros institucionais, como a CTT, a Connect Robotics também está a desenvolver a Drone2me, uma plataforma que visa intermediar entregas a drones entre consumidores e produtores.  Para quando prevêm a adoção em massa das entregas em drones em Portugal? Existem mais projectos em Portugal semelhantes ao vosso?

Prever a adoção em massa é algo bem difícil, não temos indicadores que possam dar alguma pista disso. Entre os fatores que podem influenciar estão o interesse na tecnologia por parte de clientes como CTT e outros operadores logísticos (para gerar oferta B2C e utilização em B2B), a aceitação e interesse por parte dos consumidores (para demanda no last mile B2C) e por fim a autorização dos voos por parte da ANAC.

Em Portugal não temos conhecimento de outros projetos que abordem as entregas com drones.

Obrigado ao Raphael pelo tempo cedido à central drones, e pelo seu parecer sobre esta indústria que tanto promete. É muito gratificante ver que Portugal começa a ser um dos principais inovadores nestas indústrias nascentes, e por cá vamos seguir atentamente este projecto, aconselhamos que façam o mesmo!